Título: 24 Horas Autora: Claudia Modell Sinopse: Mulder está agindo de forma estranha, segundo Scully. Scully está agindo de forma estranha, segundo Mulder. Os dois são muito estranhos, segundo o resto do mundo. Categoria: Humor E-mail: claudia@subsolo.org Homepage: http://subsolo.org Disclaimer: Os personagens dessa história foram criados por Chris Carter, 1013 e Fox Company. 24 Horas Prólogo Esta história é dividida em seis partes. Prólogo, Madrugada, Manha, Tarde, Noite e Epilogo. Eu peco que vocês leiam todas as seis partes nessa ordem. Madrugada: E a primeira parte. Como vocês vão notar, o primeiro parágrafo se passa de madrugada. O capítulo intitulado Madrugada é visto do ponto de vista da Scully. Não é em primeira pessoa. Manhã: Manhã é a segunda parte, lógico. Mas também é o segundo parágrafo seja da primeira parte seja da segunda. Esse capitulo é narrado sob o ponto de vista do Mulder. Também não é em primeira pessoa. Vocês vão notar que alguns diálogos estão repetidos. Eu não estou imitando Bad Blood. Os pontos de vista dos dois são diferentes, mas somente em relação a eles mesmos. E não ao que acontece em volta deles. Ps. Madrugada e Manhã fecham juntos. Ou seja, eles se concluem. Tarde: Ok, Tarde é a terceira parte e vocês vão dizer, é o terceiro parágrafo certo? Errado. Não tem nada a ver. Esse capitulo é narrado sob o ponto de vista do Agente Dunsmuir. A coisa interessante é que o relacionamento do Mulder e da Scully nos capítulos anteriores é revisto aqui é analisado sob uma ótica bem diferente. Mas os diálogos são basicamente os mesmos. Noite: De noite não tem nada. Mas é só um simbolismo. Aqui a historia é narrada sob o ponto de vista de Joseph. Vocês vão ter o prazer de conhecê-lo nos três capítulos anteriores. Mas não vão ler o nome dele nunca a não ser aqui. Esse capitulo faz o desfecho juntamente com Tarde. A mesma coisa que acontece com Madrugada e Manha. Mas os desfechos são diferentes. Epilogo: Mais do que epilogo é aqui que se da o desfecho entre Madrugada, Manha, Tarde e Noite. Ou seja, eles se juntam e toda a historia passa a ter um único final. Boa leitura. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Madrugada Scully escutou um barulho. Parecia alguém mexendo na porta. Ela olhou o relógio em cima da cabeceira. 2:10 da manhã. Tarde demais para visitas. Imediatamente ela pegou a arma e se colocou atrás da porta do quarto. Ouviu os passos de alguém se aproximando do seu quarto. Ela tinha que se concentrar, apesar da preocupação. O intruso entrou no quarto. Estava tudo escuro e ela somente podia ver que se tratava de uma pessoa alta, talvez um homem. Então a luz se acendeu. Ela suspirou de alívio. -Mulder? Pelo amor de Deus, você conhece campanhia??? O medo já tinha se transformado em raiva. Mas parecia que para ele o fato de ter invadido a casa dela no meio da noite, se arriscando a levar um tiro, não importava muito. Ele estava calmo e olhava fixamente para ela. -Mulder, o que houve? Você está bem? Ele não respondia, não falava nada. A raiva dela já estava se transformando em preocupação por ele. -Sim, tudo bem Scully. Eu só queria falar com você. -Mulder, você percebe que são 2 horas da manhã? Ele olhou o relógio, e pareceu surpreso. -Droga, não sabia que era tão tarde. Ou tão cedo. -Mulder, você quer me dizer logo o que você queria falar comigo? Assim posso voltar a dormir, como todos os outros seres humanos normais dessa cidade. -Scully, eu vim te dizer uma coisa importante. -Ok, então diga. Ela examinou a expressão facial dele. Não parecia que ele tinha alguma coisa importante a dizer. Ele não estava nervoso. Não parecia estar em conflito sobre dizer ou não dizer algo. -Scully, eu precisava dizer pra você que eu sinto muito o que houve com sua irmã. -Eu não acredito que você tenha vindo aqui as duas da manhã somente para dizer que sente o que aconteceu com minha irmã. -Ok, então amanhã a gente se fala. Dizendo isso ele foi embora. Do mesmo jeito que tinha entrado, em silêncio. Scully demorou a voltar a dormir. Ela não tinha entendido o que tinha acontecido. O que Mulder queria realmente falar para ela? Ela não tinha visto ele durante todo o final de semana. Ele não havia nem ao menos ligado para ela. Mas isso não era realmente um motivo de preocupação. Quanto a ele vir no meio da noite falar com ela, também não era preocupante. Mas o objeto da visita é que a tinha deixado preocupada. Amanha ela iria perguntar a ele o que ele realmente queria falar com ela. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Sede do FBI 9:00 Am Scully já tinha chegado há meia hora, mas Mulder ainda não tinha aparecido. Ela resolveu colocar em ordem alguns papeis enquanto esperava ele chegar. Logo depois das nove ele chegou. Foi direto para a mesa dele, resmungando um bom dia. -Mulder, você está com algum problema? -Não, porque? -Você foi na minha casa de madrugada somente para dizer que sentia muito pela morte da Melissa. -Mas eu sinto mesmo! -Eu sei que você sente. Mas você há de convir que é muito estranho você resolver me dizer isso depois de tanto tempo, e no meio da madrugada, não? -E eu sei, eu devia ter dito antes. Ela não respondeu. Não sabia se ele queria dizer que deveria ter dito há muito tempo atrás ou no dia anterior. Mas ela resolveu não questioná-lo mais. -Skinner quer falar conosco. Kimberly avisou assim que eu cheguei. Ele provavelmente já deve estar esperando. -Quem? -Mulder, eu disse Skinner. Quem você acha que seria? Ela respondeu secamente. O jeito dele a estava irritando. Era como se ele não se importasse com nada. -Eu não estava prestando atenção, desculpe. Ela se arrependeu imediatamente de ter ficado zangada. Havia alguma coisa errada com ele. E era por isso que ele estava agindo desse modo. Ela somente queria entender o que era. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Quando eles chegaram, a secretaria de Skinner disse que eles podiam entrar. Havia mais uma pessoa na sala quando eles entraram. Agentes Mulder e Scully, esse é o Agente Dunsmuir. Ele gostaria que vocês participassem de uma investigação já em curso. O homem tinha aparentemente quarenta anos, e Scully nunca tinha visto ele nos corredores do FBI. -O senhor não trabalha em Washington, Agente Dunsmuir? -Não, na verdade trabalho nos nossos escritórios na Califórnia. -Trabalho na Seção de Sequestros. -Califórnia! Tai um lugar onde eu adoraria trabalhar. Scully já tinha se acostumado com o silêncio de Mulder, assim o que ele disse a pegou de surpresa. Ela olhou para ele, demonstrando claramente essa surpresa. -O que foi? Mulder perguntou irritado. Ela virou o rosto, não gostando de ver o modo como ele tinha olhado para ela. Skinner resolveu interromper situação. -O Agente Dunsmuir vai apresentar os arquivos em que ele está trabalhando, assim vocês poderão começar a trabalhar imediatamente. -Sim senhor. Scully respondeu já se encaminhando para a porta, quando ouviu Skinner concluir. -Estão dispensados. Dunsmuir a seguiu carregando consigo os arquivos a que Skinner tinha se referido. Scully e Dunsmuir entraram no elevador, mas Mulder tinha ficado para trás, e no que dizia respeito a ela, ele podia ficar lá mesmo. Ela estava irritada com ele. Ele não parecia estar prestando atenção em nada. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx -Agente Dunsmuir pode me mostrar os arquivos? Ela perguntou após entrarem no escritório. -Não deseja esperar seu parceiro? -Gostaria, mas ele está demorando muito. -Ok, eu e alguns colegas estávamos investigando o seqüestro do filho de um político de Sacramento. Durante as investigações surgiram alguns fatos que pode ser descritos, no mínimo, como estranhos. -Que tipo de fatos? Agora ela tinha entendido o motivo deles terem sido chamados. Qualquer caso "estranho" era passado para eles. Ela não sabia bem se sentia honrada ou ofendida. Mas Dunsmuir estava demonstrando o máximo respeito pelo trabalho que ela e Mulder faziam. -Bom, o rapaz seqüestrado estava com amigos em um bar quando simplesmente desapareceu. Os amigos o procuraram no banheiro, na parte dos fundos do bar, foram a casa dele na esperança que ele tivesse simplesmente voltado para lá. Após horas eles resolveram chamar a polícia. Como o rapaz é filho de um político de grande influência, o FBI foi chamado e nos começamos as investigações, sempre com a possibilidade de seqüestro. -E vocês continuam achando que ele foi seqüestrado? Houve pedido de resgate? -Não, não tinha havido pedido de resgate até aquele momento. Na nossa opinião o rapaz está morto. -Agente Dunsmuir, quais seriam os fatos estranhos que o trouxeram até aqui? -Na semana passada um corpo foi encontrado. Ele correspondia perfeitamente a descrição feita pelos parentes do rapaz. Na verdade o corpo foi reconhecido sem sombra de duvidas. O DNA foi examinado, as impressões digitais recolhidas, enfim todos os requisitos para a identificação foram preenchidos. -Mas...??? -Sim, tem um mas. O rapaz foi enterrado quando a família recebeu um pedido de resgate. -Não acredito que os seqüestradores puderam ser tão estúpidos assim! -Mas não para por ai. Eles mandaram provas de que o rapaz estava vivo. Provas "praticamente" irrefutáveis. Uma fita de vídeo onde o rapaz aparece segurando um jornal do dia anterior e fios de cabelos que, após analise, demonstram pertencer de fato ao rapaz. -Quanto aos fios de cabelo me parece simples. Bastava que os seqüestradores tivessem guardado um pouco antes de matar o rapaz. Já a fita de vídeo seria necessária uma analise demonstrando que houve colagem. -Agente Scully, nos não duvidamos que o garoto esteja morto. No entanto a analise dos fios de cabelo demonstra que eles foram arrancados e não cortados, e assim ficou fácil verificar que isso tinha acontecido no dia anterior. E quanto ao vídeo nos fizemos diversas analises e não vemos qualquer prova de fraude. -O rapaz não tem outro irmão? -Hipótese improvável não acha? Um irmão desconhecido que é seqüestrado juntamente com o rapaz. -Isso seria muito mais estranho que qualquer outra explicação. -Então qual é a sua teoria, Agente Dunsmuir? -Na verdade eu confiava em vocês dois para achar uma explicação para tudo isso. -A família pagou o resgate? -Isso vai ocorrer hoje a noite. Os seqüestradores marcaram um ponto para troca do refém pelo dinheiro, as 3 da manhã. Em uma estrada secundaria perto de Sacramento. -Bem, então parece que meu parceiro finalmente vai para a ensolarada Califórnia. As passagens já estão prontas, nosso vôo sai em duas horas. Acha que é tempo suficiente para vocês se arrumarem? -Sem duvida. Não se preocupe. Vou avisar o Agente Mulder e nos encontramos no aeroporto. -Obrigado. Nos vemos lá então. Vai ser um prazer trabalhar com vocês. Scully pensou, imaginando onde diabos teria se metido Mulder. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Dunsmuir já tinha ido embora ha meia hora e Mulder ainda não havia aparecido. Scully resolveu subir e perguntar a Skinner se Mulder tinha dito algo a ele sobre onde iria. Quando a porta do elevador se abriu ela deu de cara com Mulder. A expressão no rosto dele era de pura raiva. Ela não teve tempo de sair do elevador e ele já tinha entrado. Na verdade ele tinha praticamente corrido para dentro do elevador empurrando Scully. Instintivamente ela deu alguns passos para trás. A porta do elevador se fechou, mas nenhum andar tinha sido marcado. Mulder ficou olhando fixo para ela, com uma expressão que estava deixando Scully no mínimo nervosa. A sensação que ela tinha era de que ele iria agredi-la, mas isso era ridículo. Ele nunca faria uma coisa dessas, ela sabia. Alem do que não havia qualquer motivo para isso. -Mulder, o que houve? -O que houve???? Você tem a coragem de me perguntar o que houve?? Ele deu mais um passo em direção a ela, não deixando a Scully outra escolha senão recuar. Mas não havia mais para onde recuar. Ela já estava encostada na parede do elevador. -Mulder, eu não estou entendendo, posso saber porque você está tão nervoso? Nesse momento o elevador começou a funcionar. Mulder olhou para o indicador de andares. Na verdade ele ficou olhando o tempo todo para o indicador, como se tivesse esquecido completamente de sua parceira, que continuava encurralada entre ele e a parede do elevador. Quando o elevador parou Mulder saiu, deixando Scully para trás. -Mulder, esse é o segundo andar, nos não temos nada o que fazer aqui. Ele não dava ouvidos a ela. Continuou seguindo pelo corredor até que virou a direita. Ela o seguiu. -Mulder, eu não gostaria de ser repetitiva, mas posso perguntar o que está acontecendo? -Scully, se você quiser vir comigo venha, mas não me peca pra explicar nada. Eu só tenho que seguir esse corredor e abrir uma porta que fica lá no final. -Nos temos que viajar em uma hora Mulder. Temos que ir para Sacramento. E importante, envolve um seqüestro de um rapaz de dezoito anos. -Ok, então vamos, mas quando nos voltarmos eu preciso seguir por este corredor, ok? -Ok. Ela resolveu não retrucar mais. Ele estava definitivamente estranho. Mais do que o normal é claro. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Aeroporto de Washington 1:00 Pm Scully e Mulder se encontraram com o Agente Dunsmuir na hora combinada. Somente Scully, no entanto, sabia o sacrifício que tinha sido chegar no aeroporto em tempo. Ela tinha seguido para casa, somente para pegar a mala que mantinha já pronta para casos de viagens repentinas. Em seguida ela foi para o apartamento de Mulder. Bateu na porta algumas vezes mas ele não atendeu. Então ela usou a chave que ele tinha dado a ela, e entrou. Mulder estava parado vendo TV. Vendo TV não seria a expressão correta, ele parecia que estava vendo o aparelho de TV, já que não havia nenhum canal sintonizado. Somente os chuviscos. Isso a fez lembrar do menino que eles haviam encontrado anos atrás, Kevin, que dizia receber mensagens através dos chuviscos da TV. -Mulder? Você ainda não arrumou sua mala? Antes mesmo dela terminar essa frase ele já havia se levantado. Ele correu até o quarto e pegou a mala, e sem dizer mais nenhuma palavra saiu pelo corredor. Ela seguiu atrás dele somente para encontra-lo nas escadas do prédio com a mala aberta no chão. Não havia nada dentro da mala. -Você não fez sua mala Mulder? -Scully, você tem que ver o que tem naquela fita. -Que fita? Mulder, escute, nos precisamos ir. Ok? Ela estava preocupada. Começava a achar que ele estava tendo uma crise nervosa. Eles voltaram. Começou a pegar as coisas dos armários e jogar dentro da mala. Mas fazia isso sem usar qualquer ordem. Colocava roupas de frio e botas, sem lembrar que eles estavam indo para a Califórnia, onde dificilmente eles iriam usar esse tipo de roupa. Então ela o interrompeu. -Mulder, deixa que eu arrumo sua mala. Nos estamos atrasados. Ela achou que ele ia retrucar mas ficou surpresa ao ver que ele simplesmente se sentou esperando que ela terminasse. Revendo a correria que tinha sido Scully agora imaginava a que velocidade ela tinha dirigido. Dunsmuir entregou as passagens a eles e em seguida eles foram fazer o check in. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx A viagem teria sido mais tranqüila e agradável se Scully não tivesse se sentado entre os dois agentes. Mulder permaneceu em silêncio o tempo todo, mas de vez em quando lançava olhares irônicos em relação a Dunsmuir na medida em que este ia relatando alguns casos nos quais tinha participado durante os anos em que vinha trabalhando na Seção de Sequestros. Essa atitude, no mínimo agressiva de Mulder, foi notada por Dunsmuir que retribuía com um desprezo visível. Ela se encontrava entre os dois, não podendo fazer nada mais do que rezar que o avião chegasse logo ao seu destino. Logicamente isso levou uma eternidade. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Quando finalmente eles chegaram a Sacramento, o Agente Dunsmuir os levou ao motel onde eles ficariam hospedados. Não era grande coisa, mas foi o melhor que ele havia conseguido em pouco tempo. Alem do que as acomodações só serviriam por uma noite. Pelo menos é o que pretendia Scully. Ela queria que o caso fosse logo resolvido e assim ela veria o que estava acontecendo com seu parceiro. -Mulder, ainda temos algumas horas antes do encontro para a troca do refém. Gostaria de comer algo? -Não estou com fome, se você quiser eu te acompanho. Ele disse isso com um sorriso, e ela quase chegou a esquecer os problemas que vinha tendo com ele desde a madrugada anterior. Mas ela sabia que isso era somente uma pausa no comportamento bizarro que Mulder resolveu assumir, sabe-se lá porque. Eles seguiram para o pequeno restaurante e Scully pediu somente um sanduíche e um refrigerante. Ela insistiu para ele comer algo, mas foi em vão. Durante o jantar eles quase não falaram. Ela por não querer interromper a calma que estava experimentando. Ele por motivos sobre os quais ela não tinha qualquer idéia. Quando terminaram seguiram para o quarto dele. Ela resolveu questiona-lo. -Mulder, você não gosta muito do Agente Dunsmuir não? -Não, ele mentiu sobre a porta no final do corredor. A porta no final do corredor. A maldita porta de novo. Mas do que é que ele estava falando afinal?? -Que porta, Mulder? -A porta que você não me deixou ver! -Ele disse isso como se ela devesse saber muito bem do que ele estava falando. -Mulder, nos estávamos atrasados, se você quer ver o que tem atrás da maldita porta, quando nos voltarmos pra Washington você vai lá pessoalmente e abre a porta. Isso era uma loucura. Ela não tinha a mínima idéia do que ele estava falando. O máximo que ela podia fazer era dizer o que disse. E isso produziu o efeito que ela queria. -Scully, tudo bem, vamos resolver esse caso aqui e não precisamos ver nunca mais esse Dunsmuir. -Isso. Mal ela tinha terminado de falar e alguém bateu na porta. Era Dunsmuir. -Agentes, os meus colegas já estão a postos em uma van, em uma estrada paralela a estrada do encontro. Podemos seguir para lá agora. Eles seguiram o Agente Dunsmuir. Quando chegaram ao local não viram nenhuma van. Mulder segurou o braço de sua parceira. Ela sentiu a forca em seu braço e percebeu que Mulder estava bastante nervoso. -Agente Dunsmuir, onde está a van? Ela perguntou, não querendo demonstrar o nervosismo que sentia, não porque a van não estava lá, mas pela dor que sentia no braço, que Mulder insistia em apertar, cada vez com mais forca. Ela não queria dizer nada a Mulder, para evitar qualquer comentário vindo de Dunsmuir. -Eles devem estar mais adiante. Vamos seguir a pé. -NÃO! Mulder gritou, empurrando Scully para o lado. Ela caiu no chão e só pode ver Mulder pegando a arma e apontando para Dunsmuir. -Mulder! O que é que você está fazendo? Ela perguntou, tendo esperança que ele respondesse sem falar sobre portas no fim do corredor. Mas o que ela temia aconteceu. -Você não percebe Scully? Esse desgraçado tem a chave pra porta no final do corredor. Ele armou isso tudo. Você não percebe??? Não???? -Mulder abaixa a arma, por favor. -Scully, você tem que me ouvir, tem que acreditar em mim. -Eu acredito em você, mas é melhor você abaixar a arma e nos podemos averiguar o que aconteceu ok? Enquanto essa discussão seguia o Agente Dunsmuir também seguia, mas em direção desconhecida para os dois agentes. Quando Scully percebeu Dunsmuir já tinha desaparecido da vista deles. Se o comportamento de Mulder era estranho, mais estranho era o desaparecimento de Dunsmuir. Para que ele iria fugir? Bom, fora o fato de ter uma arma apontada para a própria cabeça. Mulder vendo que Dunsmuir havia sumido, abaixou a arma e ajudou Scully a se levantar. Em seguida eles foram para o carro. -Mulder, é sobre o Agente Dunsmuir? Não é melhor alguém procura-lo? -Scully, eu acho que não vamos ver ele nunca mais. -E quanto ao rapaz seqüestrado? -Não existe rapaz seqüestrado. Scully, você tem se comportado de forma estranha ultimamente sabia? -Eu? Mulder você foi na minha casa no meio da noite!!! Pra falar que sentia muito sobre a morte de Melissa. Você praticamente me agrediu naquele elevador. Você estava atrás de uma porta no final do corredor e não sabia nem do que estava falando! -Scully, você me ligou antes de eu ir pra sua casa, você disse que eu era o culpado pela morte da sua irmã! Eu não agredi você no elevador, não faço a mínima idéia do que você está falando. Quanto a porta no final do corredor, você vai ter que ver a fita que eu te falei. -Mulder, isso já está ficando completamente sem sentido. Eu nunca acusaria você pela morte de Melissa. Vamos esquecer o elevador, pode ter sido impressão minha. Quanto a porta no final do corredor, eu vou ver a tal fita, ok? -Ok, não vamos mais discutir sobre isso. Vamos voltar para Washington. E tentar explicar ao Skinner o que diabos nos viemos fazer aqui, e onde se meteu Dunsmuir. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Skinner não esperava ver os dois tão cedo. O caso em Sacramento não era tão complicado afinal. -Mulder, Scully, como prosseguiram as investigações em Sacramento? Scully e Mulder resolveram falar ao mesmo tempo, mas Skinner interrompeu os dois e pediu a Scully que falasse. -Senhor, o Agente Dunsmuir, aparentemente, tinha intenções desconhecidas. -Nos chegamos a conclusão que o rapaz realmente morreu. A família disse que não houve qualquer pedido de seqüestro. Nos fomos levados até Sacramento sem qualquer motivo, ou por algum motivo que nos não sabemos. -Onde está Dunsmuir agora? Skinner estava confuso e até zangado. Como é que esses dois conseguiam sempre se meter em algum caso estranho, mesmo quando tudo parecia tão simples? -Nos não sabemos. Na verdade nos descobrimos algo estranho. Não existe nenhum agente com esse nome. E nunca existiu. -Não entendo. Com que propósito vocês foram levados até lá? -Não sabemos também, senhor, mas acho que Dunsmuir já vinha nos estudando ha algum tempo. Mulder disse isso esperando não soar como mais uma teoria de conspiração. -Não teve sucesso. -Agente Mulder, por que acha que esse homem viria até aqui, trazendo uma documentação falsa, muito bem elaborada, visando somente levar vocês dois até Sacramento? -Não é somente isso senhor. Desde a noite anterior a chegada dele a Agente Scully vem agindo de forma estranha, acho que ele tem algo a ver com isso. Ela não acreditava no que estava ouvindo! Mulder, o Senhor Estranho, estava ousando dizer que ela estava agindo de forma estranha. -Mulder, acho que você não está se atendo aos fatos. Ou seja, quem vem agindo estranhamente é você e não eu! Scully não percebeu que tinha falado tão alto até que ouviu o som da própria voz. Mas Skinner e Mulder perceberam. Mulder fez uma expressão de condescendência como se ela devesse ser perdoada somente porque estava doente, estressada, ou seja lá qual outro motivo. Skinner no entanto, foi bem mais direto. -Agente Scully, Agente Mulder, quero um relatório completo dos fatos. -Estão dispensados. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx x Ela estava furiosa. Não ia deixar Mulder escapar com vida disso. Ele podia ter certeza. Mas ele sabia. Ele a acompanhou a uma distancia segura até o escritório deles. Quando ela entrou ele seguiu direto para a própria mesa. Ele estava em silêncio. Ela sabia que isso era uma estratégia dele. Nada de confrontos. Normalmente isso funcionava. Ou melhor, isso tinha funcionado bem no inicio da parceria deles, quando ela ainda não o conhecia tão bem. Mas dessa vez não. Ela não podia deixar ele faze-la passar por histérica na frente de Skinner. -Mulder, o que você falou lá em cima não foi justo. Você sabe muito bem que seu comportamento não tem sido o mais sensato. -Scully, esse é seu ponto de vista. Do meu ponto de vista você é que vem agindo de forma estranha. -Ok, Mulder, vamos fazer o que Skinner mandou. Você faz seu relatório e eu faço o meu. Mas não esquece de mencionar a porta no final do corredor. Quando ela terminou de dizer isso ela percebeu que eles tinham se esquecido completamente da tal porta. Tendo em vista o desaparecimento de Dunsmuir, a porta tinha se tornado uma coisa importante. Ele devia ter pensado a mesma coisa já que simplesmente olhou para ela e disse: -Vamos. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Eles seguiram o corredor e encontraram a porta no final dele. -Sinceramente Mulder, essa porta parece bem normal não? -Eu também acho. Mas ela deve ser muito importante. Eu não sei porque. -Ok, então vamos entrar. -Scully, o que você acha que tem do lado de lá? -Provavelmente nada, mas eu sou curiosa. -Mulheres... -Mulder! Você é que queria ver o que tem do outro lado! -Ok, ok, eu também sou curioso, vamos entrar. Eles abriram a porta e então perceberam que existem portas que devem ser abertas e portas que devem ficar fechadas e aquela definitivamente pertencia ao segundo grupo. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Manhã Mulder estava quase dormindo. Era uma hora da manhã, e ele estava tendo dificuldade em pegar no sono. Somente a lembrança da pizza fazia ele se sentir mal. O sono já estava chegando e era tudo o que ele queria. Mas o telefone tocou. Ele se levantou sobressaltado. Uma hora da manhã, só podia ser alguma tragédia. Em caso de tragédia ligue para Fox Mulder, de preferencia de madrugada. Era Scully. -Scully? O que houve? -Mulder, eu não estava conseguindo dormir. -Comeu pizza? -O que? Não, eu estava pensando na Melissa. -Scully, tente dormir, acho que ficar remoendo lembranças tristes não é bom para ninguém. -Eu sei, mas é que eu fico pensando que ela estaria viva hoje se somente eu tivesse seguido um caminho diferente. -Se você não tivesse trabalhando comigo por exemplo. Ele já tinha pensado nisso muitas vezes. O simples fato dela trabalhar com ele tinha mudado radicalmente a vida dela. -Mulder eu não quis dizer isso. -Mas é verdade não? -Acho que é. Ela parecia muito triste mesmo. Ele se sentiu culpado. Ele queria muito dizer a ela isso. Dizer o quanto se sentia mal por todo o mal que tinha causado a ela. -Scully, eu si.... Mas ela já tinha desligado. Ele pensou em ligar de volta para ela. Mas decidiu que era melhor ele ir até lá. Dizer pessoalmente o quanto ele se sentia mal sobre a morte da irmã dela. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Ele não queria acorda-la caso ela tivesse conseguido pegar no sono. Resolveu usar sua chave reserva. Foi até o quarto dela. Estava tudo apagado. Mas não completamente escuro. Ele notou que ela não estava na cama. Acendeu a luz então e levou um susto quando a viu em frente a ele de arma em punho. -Mulder? Pelo amor de Deus, você conhece campanhia??? Droga, até quando não queria assusta-la ele conseguia. -Mulder, o que houve? Você está bem? -Sim, tudo bem Scully. Eu só queria falar com você. -Mulder, você percebe que são 2 horas da manhã? Duas horas da manhã! Agora ele sabia que tinha feito besteira. -Droga, não sabia que era tão tarde. Ou tão cedo. Ele ainda tentou brincar, mas ela não parecia muito disposta. -Mulder, você quer me dizer logo o que você queria falar comigo? Assim posso voltar a dormir, como todos os outros seres humanos normais dessa cidade. -Scully, eu vim te dizer uma coisa importante. -Ok, então diga. Ele não sabia como começar a dizer isso. Era embaraçante demais vir na casa dela de madrugada somente pra dizer algo que já devia ter dito ha muito tempo. -Scully, eu precisava dizer pra você que eu sinto muito o que houve com sua irmã. -Mulder, eu não acredito que você tenha vindo aqui as duas da manhã somente para dizer que sente o que aconteceu com minha irmã. -Ok, então amanhã a gente se fala. Ela estava certa. Foi uma loucura. Ela deve estar achando que ele era doido. Resolveu ir embora e deixar sua parceira, que não tinha comido pizza, dormir em paz. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Sede do FBI 9:10 Am Ele estava atrasado. Dormir foi bem mais complicado do que ele pensava. O estômago ainda doía, e estava sendo difícil para ele pensar em outra coisa que não fosse uma maneira rápida e indolor de arrancar o próprio estômago e lavar com água e sabão. Scully já estava lá quando ele chegou. Estava arrumando a papelada. Ele disfarçou e entrou mal dizendo bom dia, com medo de ser notado demais. -Mulder, você está com algum problema? Mas não, ela nunca ia deixar de notar não é? Ele não sabia se ficava contente ou zangado com isso. -Não, porque? Mulder tinha pensado em métodos indolores de acabar com seu sofrimento, e com certeza Scully iria arrumar algum remédio bem ruim ou alguma agulhada. -Você foi na minha casa de madrugada somente para dizer que sentia muito pela morte da Melissa. -Mas eu sinto mesmo! -Eu sei que você sente. Mas você há de convir que é muito estranho você resolver me dizer isso depois de tanto tempo, e no meio da madrugada, não? -E eu sei, eu devia ter dito antes. -Skinner quer falar conosco. Kimberly avisou assim que eu cheguei. Ele provavelmente já deve estar esperando. -Quem? Mulder estava ainda pensando em uma maneira de se auto mutilar usando o pensamento. Não estava prestando atenção em nada do que sua parceira falava. -Mulder, eu disse Skinner. Quem você acha que seria? Porque ela estava tão irritada? Era ele que estava morrendo naquela sala. -Eu não estava prestando atenção, desculpe. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Quando eles chegaram, a secretaria de Skinner disse que eles podiam entrar. Havia mais uma pessoa na sala quando eles entraram. -Agentes Mulder e Scully, esse é o Agente Dunsmuir. Ele gostaria que vocês participassem de uma investigação já em curso. -O senhor não trabalha em Washington, Agente Dunsmuir? -Não, na verdade trabalho nos nossos escritórios na Califórnia. -Trabalho na Seção de Sequestros. Isso, Califórnia, qualquer lugar longe dali. Será que na Califórnia as pizzas eram boas? -Califórnia! Tai um lugar onde eu adoraria trabalhar. Essa declaração saiu antes mesmo dele se dar conta. Scully agora estava olhando como se ele tivesse dito uma coisa terrível. -O que foi? Mulder perguntou irritado. Ela virou o rosto. Bem, nem todo mundo podia ser perfeito não? Muito menos ele, sem duvida. Skinner resolveu interromper situação. -O Agente Dunsmuir vai apresentar os arquivos em que ele está trabalhando, assim vocês poderão começar a trabalhar imediatamente. -Sim senhor. -Estão dispensados. Quando Mulder ia saindo sentiu uma dor terrível no estômago. Achou mesmo que estava pronto para morrer. Bom, ele tendia a exagerar um pouco a situação, mas ainda assim a dor era bem grande. Ele parou um instante no corredor, e deixou que Scully acompanhasse Dunsmuir. Quando a dor diminuiu ele seguiu em direção ao elevador. Um homem esbarrou nele. Era um rapaz que aparentava estar ali ha apenas algumas horas. Devia ser um estagiário. -Desculpe senhor. -Não foi nada. Mulder respondeu já querendo ir embora. Mas o tal rapaz tinha outras idéias. -O senhor é agente não? -Sim. Fox Mulder. -Muito prazer. Eu sou estagiário. Meu sonho é ser um agente do FBI algum dia. -Bem, tenho certeza que você vai conseguir. Mulder em outra circunstancia teria sido mais simpático, mas ele estava cansado e com pressa. -Agente Mulder, o senhor tem acesso a todos os andares? -Acho que sim, nunca fui barrado. -E que um outro agente que eu conheci hoje disse que tentou entrar em uma sala, no final do corredor do segundo andar. Mas o guarda disse que ele não podia entrar. Ele perguntou se eu poderia levar ele até lá. Eu disse a ele que não tinha acesso a áreas restritas. Ele agradeceu e não disse mais nada. Mas talvez isso tenha acontecido porque ele não trabalha nesse prédio. -E onde ele trabalha? Mulder começou a ficar interessado. -Na Califórnia. -Sabe o nome dele? -Não, não perguntei. Desculpe. -Não tem importância. Bom, eu tenho que ir. Boa sorte pra você, ok? Mulder já tinha esquecido a pizza e seus efeitos nefastos e estava disposto a descer até o segundo andar e averiguar a historia que o rapaz tinha contado. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Mulder chamou o elevador e quando a porta se abriu viu Scully. Era o ódio em pessoa. Ela parecia que estava pronta pra acabar com ele. Somente pelo atraso. Bom, quem mandou ele perder tempo conversando com um estagiário? Ele entrou no elevador, não ousando dizer nada. Ela estava passando um período ruim, com certeza. Culpando ele de tudo, não tendo a mínima paciência com ele. E foi nesse momento que ele sentiu uma pontada no estômago. Novamente. Droga, ele ia acabar tendo que entregar os pontos e tomando algum remédio com gosto de cabo de guarda-chuva. Ele ficou ali, olhando para ela, esperando que ao menos ela apertasse algum botão. Ele mal conseguia respirar quem dirá se mover. -Mulder, o que houve? Finalmente ela percebeu que ele estava morrendo! Ok, não era justo esperar que ela saiba toda vez que ele não está bem, mas naquele instante ele não estava nem um pouco preocupado com justiça. -O que houve???? Você tem a coragem de me perguntar o que houve?? Ao dizer isso ele perdeu o equilíbrio quase caindo em cima dela. -Mulder, eu não estou entendendo, posso saber porque você está tão nervoso? Nesse momento o elevador começou a funcionar. Mulder olhou para o indicador de andares. Na verdade ele ficou olhando o tempo todo para o indicador. Ele olhava e contava, e esperava que com isso a dor passasse. O elevador parou no segundo andar. Isso era uma coisa boa. Ele ia aproveitar para verificar a historia da porta no final do corredor. Essa historia da porta tinha deixado ele curioso, já que por alguma razão ela era importante para Dunsmuir. Mulder até se esqueceu de Scully. -Mulder, esse é o segundo andar, nos não temos nada o que fazer aqui. Ele não dava ouvidos a ela. Continuou seguindo pelo corredor até que virou a direita. Ela o seguiu. -Mulder, eu não gostaria de ser repetitiva, mas posso perguntar o que está acontecendo? -Scully, se você quiser vir comigo venha, mas não me peca pra explicar nada. Eu só tenho que seguir esse corredor e abrir uma porta que fica lá no final. -Nos temos que viajar em uma hora Mulder. Temos que ir para Sacramento. E importante, envolve um seqüestro de um rapaz de dezoito anos. Droga, ele tinha esquecido que tinha esse caso na Califórnia. Bom, viajar com Dunsmuir ia ajudar a entender o que ele queria nesse andar. -Ok, então vamos, mas quando nos voltarmos eu preciso seguir por este corredor, ok? -Ok. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Mulder foi para o apartamento para arrumar a mala. Não pretendia levar muitas coisas, mas não tinha idéia de quanto tempo eles iam ficar na Califórnia. Scully não tinha dado muitos elementos sobre o caso que eles estavam indo investigar. Quando ele chegou viu que a TV estava ligada. Não lembrava de tê-la sequer ligado, quanto mais não ter desligado. Foi quando ele notou que a TV estava sintonizada no videocassete e não da TV. Ele se sentou e resolveu ver o que tinha na fita. Era uma gravação caseira. Ate escura, mal se podia ver. Mas ele podia reconhecer uma pessoa. Dunsmuir. Não havia nada de estranho no que Dunsmuir estava fazendo. Ele estava saindo por uma porta. Mas ao mesmo tempo havia algo de muito estranho. Mulder podia notar que se tratava do mesmo corredor que ele queria seguir. Então Dunsmuir tinha saído por aquela porta, mas como se ele nem ao menos havia entrado por ela? Conforme o estagiário tinha dito para ele. A fita tinha uma indicação embaixo. Pertencia ao sistema de segurança do próprio FBI. Quem teria mandado a fita? E o que diabo estava Dunsmuir fazendo naquela sala? Ele ficou lá pensando nisso tudo, esquecendo completamente da mala por fazer. E nem notando que a fita tinha acabado de rodar. -Mulder? Você ainda não arrumou sua mala? Ele levou um susto. Não tinha visto ela entrar. Ele se levantou e foi correndo pegar a mala. Ele queria ter uma conversinha com Dunsmuir e rápido. Ele saiu pelo corredor com a mala e sua parceira atrás dele. Quando chegou nas escadas é que se lembrou de que não tinha feito a mala. Bem, talvez já tivesse deixado alguma roupa lá. Ele abriu a mala mas ela estava vazia. -Você não fez sua mala Mulder? -Scully, você tem que ver o que tem naquela fita. -Que fita? Mulder, escute, nos precisamos ir. Ok? Com toda a correria ele não tinha tempo de explicar nada a ela. Eles voltaram. Ele começou a pegar as coisas dos armários e jogar dentro da mala, com pressa. Mas fazia isso sem usar qualquer ordem. Colocava roupas de frio e botas, sem lembrar que eles estavam indo para a Califórnia, onde dificilmente eles iriam usar esse tipo de roupa. Então ela o interrompeu. -Mulder, deixa que eu arrumo sua mala. Nos estamos atrasados. Mulder adorou a sugestão. Ele não conseguia arrumar uma mala correndo. Ele se sentou esperando que ela terminasse. Ele nunca tinha visto ela tão zangada. Em seguida eles foram para o aeroporto, ela dirigiu, ou melhor, ela voou. Ele não ousava sequer retrucar. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Aeroporto de Washington 1:00 Pm Scully e Mulder se encontraram com o Agente Dunsmuir na hora combinada. Apesar de todos os problemas enfrentados. Dunsmuir entregou as passagens a eles e em seguida eles foram fazer o check in. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx A viagem teria sido mais produtiva se Scully não tivesse se sentado entre ele e Dunsmuir. Mulder adoraria perguntar a ele sobre a sala no segundo andar. Mas não queria irritar mais ainda sua parceira. De vez em quando ele se pegava examinando Dunsmuir, tentando captar algo em seus relatos sobre alguns casos nos quais tinha participado durante os anos em que vinha trabalhando na Seção de Sequestros. Essa atitude, da parte de Mulder, foi notada por Dunsmuir que retribuía com um desprezo visível. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Quando finalmente eles chegaram a Sacramento, o Agente Dunsmuir os levou ao motel onde eles ficariam hospedados. Não era grande coisa, mas foi o melhor que ele havia conseguido em pouco tempo. Alem do que as acomodações só serviriam por uma noite. Pelo menos é o que pretendia Mulder. Ele queria saber o que realmente estava se passando com Dunsmuir. Mas o que ele queria mesmo é conversar com Scully e contar o que ele sabia. Entretanto, o humor dela não estava muito bom, e ele achou melhor não aborrece-la ainda mais com mais uma conspiração. -Mulder, ainda temos algumas horas antes do encontro para a troca do refém. Gostaria de comer algo? Meu Deus, somente o pensamento de comer algo já fazia sentir dores. Ele tinha até esquecido a dor de estômago, mas já estava com fome de novo e a dor estava voltando. -Não estou com fome, se você quiser eu te acompanho. Ele tentou um sorriso. Qualquer coisa para faze-la contente e pronta para escutar sua última teoria. Eles seguiram para o pequeno restaurante e Scully pediu somente um sanduíche e um refrigerante. Ela insistiu para ele comer algo, mas foi em vão. Durante o jantar eles quase não falaram. Ele por não querer interromper a calma que estava experimentando. Ela por motivos sobre os quais ele não tinha qualquer idéia. Quando terminaram seguiram para o quarto dele. Foi quando começou o interrogatório. -Mulder, você não gosta muito do Agente Dunsmuir não? -Não, ele mentiu sobre a porta no final do corredor. -Que porta, Mulder? -A porta que você não me deixou ver! Após dizer isso é que ele percebeu que ela na verdade não sabia muito sobre esse assunto. Ela o interrompeu antes mesmo dele começar a explicar. -Mulder, nos estávamos atrasados, se você quer ver o que tem atrás da maldita porta, quando nos voltarmos pra Washington você vai lá pessoalmente e abre a porta. Ótimo, agora ela estava zangada de novo. E tudo por causa da porta. Bom, ele achou que era melhor fazer tudo o que ela queria. -Scully, tudo bem, vamos resolver esse caso aqui e não precisamos ver nunca mais esse Dunsmuir. -Isso. Mal ela tinha terminado de falar e alguém bateu na porta. Era Dunsmuir. -Agentes, os meus colegas já estão a postos em uma van, em uma estrada paralela a estrada do encontro. Podemos seguir para lá agora. Eles seguiram o Agente Dunsmuir. Quando chegaram ao local não viram nenhuma van. Mulder sentiu a dor voltando. Dessa vez com uma força enorme. Mas ele não teve forcas para dizer isso. Segurou o braço de sua parceira. -Agente Dunsmuir, onde está a van? Ela perguntou. Havia algo na voz dela, como se ela estivesse nervosa. A van não estava lá. Dunsmuir tinha mentido? Mulder agora tinha outra preocupação além da dor. Ele tinha que avisar a Scully que Dunsmuir não era de confiança. Devia ter dito antes. Mas não disse e agora não havia como fazer isso. -Eles devem estar mais adiante. Vamos seguir a pe. Era uma armadilha, ele sabia. Não sabia porque mas sabia. -NÃO! Mulder gritou, empurrando Scully para o lado. Ela caiu no chão. Ele pegou a arma e apontou para Dunsmuir. -Mulder! O que é que você está fazendo? Ela perguntou, olhando para ele como se ele fosse o mais louco dos homens. -Você não percebe Scully? Esse desgraçado tem a chave pra porta no final do corredor. Ele armou isso tudo. Você não percebe??? Não???? -Mulder abaixa a arma, por favor. -Scully, você tem que me ouvir, tem que acreditar em mim. -Eu acredito em você, mas é melhor você abaixar a arma e nos podemos averiguar o que aconteceu ok? Enquanto essa discussão seguia o Agente Dunsmuir também seguia, mas em direção desconhecida para os dois agentes. Quando Mulder viu Dunsmuir já tinha desaparecido da vista deles. Agora Scully iria admitir que o comportamento de Dunsmuir era estranho. Para que ele iria fugir? Bom, fora o fato de ter uma arma apontada para a própria cabeça. Mulder vendo que Dunsmuir havia sumido, abaixou a arma e ajudou Scully a se levantar. Em seguida eles foram para o carro. -Mulder, e sobre o Agente Dunsmuir? Não é melhor alguém procura-lo? -Scully, eu acho que não vamos ver ele nunca mais. -E quanto ao rapaz seqüestrado? -Não existe rapaz seqüestrado. Scully, você tem se comportado de forma estranha ultimamente sabia? -Eu? Mulder você foi na minha casa no meio da noite!!! Pra falar que sentia muito sobre a morte de Melissa. Você praticamente me agrediu naquele elevador. Você estava atrás de uma porta no final do corredor e não sabia nem do que estava falando! -Scully, você me ligou antes de eu ir pra sua casa, você disse que eu era o culpado pela morte da sua irmã! Eu não agredi você no elevador, não faço a mínima idéia do que você está falando. Quanto a porta no final do corredor, você vai ter que ver a fita que eu te falei. -Mulder, isso já está ficando completamente sem sentido. Eu nunca acusaria você pela morte de Melissa. Vamos esquecer o elevador, pode ter sido impressão minha. Quanto a porta no final do corredor, eu vou ver a tal fita, ok? -Ok, não vamos mais discutir sobre isso. Vamos voltar para Washington. E tentar explicar ao Skinner o que diabos nos viemos fazer aqui, e onde se meteu Dunsmuir. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Skinner não esperava ver os dois tão cedo. O caso em Sacramento não era tão complicado afinal. -Mulder, Scully, como prosseguiram as investigações em Sacramento? Scully e Mulder resolveram falar ao mesmo tempo, mas Skinner interrompeu os dois e pediu a Scully que falasse. -Senhor, o Agente Dunsmuir, aparentemente, tinha intenções desconhecidas. -Nos chegamos a conclusão que o rapaz realmente morreu. A família disse que não houve qualquer pedido de seqüestro. Nos fomos levados até Sacramento sem qualquer motivo, ou por algum motivo que nos não sabemos. -Onde está Dunsmuir agora? Skinner estava confuso e até zangado. Como é que esses dois conseguiam sempre se meter em algum caso estranho, mesmo quando tudo parecia tão simples? -Nos não sabemos. Na verdade nos descobrimos algo estranho. Não existe nenhum agente com esse nome. E nunca existiu. -Não entendo. Com que propósito vocês foram levados até lá? -Não sabemos também, senhor, mas acho que Dunsmuir já vinha nos estudando ha algum tempo. Mulder disse isso esperando não soar como mais uma teoria de conspiração. Não teve sucesso. -Agente Mulder, por que acha que esse homem viria até aqui, trazendo uma documentação falsa, muito bem elaborada, visando somente levar vocês dois até Sacramento? -Não é somente isso senhor. Desde a noite anterior a chegada dele a Agente Scully vem agindo de forma estranha, acho que ele tem algo a ver com isso. No momento em que ele disse isso se arrependeu. Não podia botar a culpa do comportamento dela em Dunsmuir. -Mulder, acho que você não está se atendo aos fatos. Ou seja, quem vem agindo estranhamente é você e não eu! Ela reagiu elevando o tom de voz. Ele sabia que não devia ter dito aquilo agora tinha que arcar com as conseqüências. Mulder não sabia o que dizer. Mas Skinner sabia. -Agente Scully, Agente Mulder, quero um relatório completo dos fatos. -Estão dispensados. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Ela estava furiosa, ele sentia isso. Ele sabia que dessa vez não ia escapar com vida. Ele tinha certeza. Ele a acompanhou a uma distancia segura até o escritório deles. Quando ela entrou ele seguiu direto para a própria mesa. Ele estava em silêncio, esperando que ficando calado ela o deixaria viver. Mas dessa vez não estava dando certo a estratégia dele. Ela não iria deixar ele dizer que ela tinha agido de forma estranha na frente de Skinner. -Mulder, o que você falou lá em cima não foi justo. Você sabe muito bem que seu comportamento não tem sido o mais sensato. -Scully, esse é seu ponto de vista. Do meu ponto de vista você é que vem agindo de forma estranha. -Ok, Mulder, vamos fazer o que Skinner mandou. Você faz seu relatório e eu faço o meu. Mas não esquece de mencionar a porta no final do corredor. Quando ela terminou de dizer isso ele se lembrou da porta no final do corredor. Tendo em vista o desaparecimento de Dunsmuir, a porta tinha se tornado uma coisa importante e até mesmo ela tinha que admitir isso. Então ele disse: -Vamos. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Eles seguiram o corredor e encontraram a porta no final dele. -Sinceramente Mulder, essa porta parece bem normal não? -Eu também acho. Mas ela deve ser muito importante. Eu não sei porque. -Ok, então vamos entrar. -Scully, o que você acha que tem do lado de lá? -Provavelmente nada, mas eu sou curiosa. -Mulheres... -Mulder! Você é que queria ver o que tem do outro lado! -Ok, ok, eu também sou curioso, vamos entrar. Eles abriram a porta e então perceberam que existem portas que devem ser abertas e portas que devem ficar fechadas e aquela definitivamente pertencia ao segundo grupo. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Tarde Alexander Dunsmuir era um cientista um bom cientista. Não podia dizer que era o mais brilhante mas ainda assim ele sabia que era bom no que fazia. A última prova disso tinha vindo do próprio governo. Afinal que governo se daria ao trabalho de roubar descaradamente uma invenção? Ele não ia se deixar intimidar pelo governo. Ele tinha direitos e ia atrás de seus direitos, não importando o que ele teria que fazer. No inicio sua luta tinha sido travada através de cartas e telefonemas. Sua indignação, no entanto, já era objeto de brincadeiras no Setor de Estudos de Armas Nucleares. O órgão ligado a NASA, por algum motivo que ele não ousava sequer imaginar, tinha dado grande apoio as pesquisas feitas por ele. Mas agora, após a conclusão dos trabalhos, ele se viu impedido de entrar no prédio da NASA. Após algum tempo de investigações ele descobriu que seu projeto, ou melhor, o protótipo de seu projeto se encontrava no prédio do FBI. Ele sabia onde estava, mas como chegar até lá? E o mais importante, para fazer o protótipo funcionar ele teria não somente que ir para o prédio do FBI como também teria que fazer a ponte em algum laboratório, com uma distancia de pelo menos mil quilômetros. Ele encontrou um bom local. Um laboratório de pesquisas sobre epidêmicas que ficava na Califórnia. O laboratório estava abandonado ha um ano, quando houve um acidente com um dos frascos contendo uma bactéria. Era o lugar perfeito. Dunsmuir passou bastante tempo, no entanto, estudando o modo como entrar no prédio do FBI. Ele preparou documentos falsos e uma historia plausível. Mas não era somente o acesso que ele precisava. Ele precisava levar alguém com ele para que a ação do projeto atingisse um ponto, que não podia ser ele. A questão era, ele não podia levar alguém até o prédio do FBI e depois trazer essa pessoa até o laboratório na Califórnia. Isso seria complicado. O ideal era usar alguém que já estivesse na área do protótipo e em seguida leva-lo para o laboratório. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Dunsmuir chegou no prédio do FBI cedo. Sabia que tinha que tentar entrar na sala do protótipo antes do encontro com o Diretor Assistente. Ele seguiu para o segundo andar mas deu de cara com um garoto com cara de bobo, que parecia que tinha fugido de algum berçário. -Desculpe senhor. -Ok, meu rapaz. Dunsmuir queria se livrar do garoto e rápido assim podia seguir para a sala. Mas o rapaz olhava fixamente para ele e não parecia interessado a deixar escapar uma conversa. -O senhor é agente? -Sim, sou. Mas não trabalho aqui, sou da Califórnia. -Muito prazer, meu sonho é ser agente do FBI, sabia? Pensou Dunsmuir olhando para a porta logo a sua frente. Dunsmuir resolveu não esperar e seguiu em direção a porta, ignorando o garoto a sua frente. Mas a porta estava trancada. Ele devia ter pensado nisso. -O senhor não tem acesso a essa sala? -Eu tinha mas me barraram sem motivos. Era a única desculpa que ele podia dar. -Você poderia me fazer entrar nessa sala, rapaz? -Sinto muito, não tenho acesso a certas áreas. -Ok, obrigado. Ele precisava ter acesso aquela sala. Mas não com aquele chato por perto. Decidiu subir as escadas de incêndio e voltar em minutos. Quando voltou o chato já tinha ido embora. Agora ele tinha livre acesso a sala. O fato de estar trancada não significava muito. Ele conseguiria abrir a porta com facilidade. Como de fato o fez. Em seguida se viu de frente a seu protótipo. Nunca tinha imaginado que seu projeto seria desenvolvido, e muito menos construído. E agora ali estava o seu projeto, materializado. Perfeito. Ele deixou de lado esses pensamentos narcisistas e colocou seu plano em pratica. O portal ia ser aberto. A ponte ia ser criada. Ele ligou o aparelho. Esperou ouvir algum barulho, mas o protótipo foi feito de maneira a não gerar grandes barulhos. Assim que a maquina começou a funcionar ele sentiu uma eletricidade que se espalhava pela sala. 24 horas. Era o tempo que ele tinha. Ainda não eram 9 horas da manhã. Ele tinha muito tempo. Mas sabia que depois de 24 horas nada iria funcionar. Saiu da sala e seguiu em direção a sala do Diretor Assistente Skinner. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx -Agente Dunsmuir, bom dia. Skinner era um homem cordial mas não parecia o tipo que gostava de conversas. Dunsmuir, naquele momento, também não queria muita conversa. Ele queria somente terminar logo aquilo. Voltar ao laboratório na Califórnia, de preferencia levando alguém que tenha estado no prédio enquanto a maquina estava ligada. -Bom dia. O senhor já está a par do caso que eu estou investigando, certo? -Sim, Agente Dunsmuir. A minha assistente me entregou o arquivo hoje de manhã. -O senhor acha que pode encontrar alguém que possa me ajudar? -Sim, na verdade, em face dos aspectos do caso, eu acho que a seção X-files poderia cuidar disso. -Ah, eu já havia ouvido falar sobre isso. Não sabia que de fato existia. -Já comuniquei a minha assistente que o senhor chegou. Acredito que dentro em breve os agentes estarão aqui. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Dentro em breve. A teoria da relatividade se tornava facilmente explicável. Parecia que Dunsmuir estava ha horas lá dentro. Skinner insistia em perguntar detalhes dos casos em que vinha trabalhando, e Dunsmuir tinha que inventar tudo e o que é pior, correndo um risco tremendo de ser desmascarado. Mas tudo estava correndo bem, por enquanto. Então a assistente finalmente avisou que os agentes haviam chegado. -Agentes Mulder e Scully, esse é o Agente Dunsmuir. Ele gostaria que vocês participassem de uma investigação já em curso. Os dois eram mais jovens do que ele imaginava. De onde ele tinha tirado a idéia de que agentes do FBI são velhos ele não sabia. -O senhor não trabalha em Washington, Agente Dunsmuir? -Não, na verdade trabalho nos nossos escritórios na Califórnia. Trabalho na Seção de Sequestros. -Califórnia! Tai um lugar onde eu adoraria trabalhar. Dunsmuir podia concordar plenamente com Mulder. A Califórnia era o único lugar onde ele gostaria de estar agora. Mas aparentemente isso não era o que pensava a colega dele. -O que foi? Mulder perguntou visivelmente irritado. Ela virou o rosto. Será que esses dois não vão resolver brigar e desistem de viajar? Não podia pensar nisso. O tempo estava contra ele. Skinner interrompeu a situação. -O Agente Dunsmuir vai apresentar os arquivos em que ele está trabalhando, assim vocês poderão começar a trabalhar imediatamente. -Sim senhor. -Estão dispensados. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Dunsmuir seguiu a Agente Scully, carregando consigo os arquivos a que Skinner tinha se referido. Scully e Dunsmuir entraram no elevador, mas Mulder tinha ficado para trás. Isso parecia ser ótimo, já que ela estava bastante irritada com ele. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx -Agente Dunsmuir pode me mostrar os arquivos? Ela perguntou após entrarem no escritório. -Não deseja esperar seu parceiro? -Gostaria, mas ele está demorando muito. -Ok, eu e alguns colegas estávamos investigando o seqüestro do filho de um político de Sacramento. Durante as investigações surgiram alguns fatos que pode ser descritos, no mínimo, como estranhos. -Que tipo de fatos? -Bom, o rapaz seqüestrado estava com amigos em um bar quando simplesmente desapareceu. Os amigos o procuraram no banheiro, na parte dos fundos do bar, foram a casa dele na esperança que ele tivesse simplesmente voltado para lá. Após horas eles resolveram chamar a polícia. Como o rapaz é filho de um político de grande influência, o FBI foi chamado e nos começamos as investigações, sempre com a possibilidade de seqüestro. -E vocês continuam achando que ele foi seqüestrado? Houve pedido de resgate? -Não, não tinha havido pedido de resgate até aquele momento. Na nossa opinião o rapaz está morto. -Agente Dunsmuir, quais seriam os fatos estranhos que o trouxeram até aqui? -Na semana passada um corpo foi encontrado. Ele correspondia perfeitamente a descrição feita pelos parentes do rapaz. Na verdade o corpo foi reconhecido sem sombra de duvidas. O DNA foi examinado, as impressões digitais recolhidas, enfim todos os requisitos para a identificação foram preenchidos. -Mas...??? -Sim, tem um mas. O rapaz foi enterrado quando a família recebeu um pedido de resgate. -Não acredito que os seqüestradores puderam ser tão estúpidos assim! -Mas não para por ai. Eles mandaram provas de que o rapaz estava vivo. Provas "praticamente" irrefutáveis. Uma fita de vídeo onde o rapaz aparece segurando um jornal do dia anterior e fios de cabelos que, após analise, demonstram pertencer de fato ao rapaz. -Quanto aos fios de cabelo me parece simples. Bastava que os seqüestradores tivessem guardado um pouco antes de matar o rapaz. Já a fita de vídeo seria necessária uma analise demonstrando que houve colagem. -Agente Scully, nos não duvidamos que o garoto esteja morto. No entanto a analise dos fios de cabelo demonstra que eles foram arrancados e não cortados, e assim ficou fácil verificar que isso tinha acontecido no dia anterior. E quanto ao vídeo nos fizemos diversas analises e não vemos qualquer prova de fraude. -O rapaz não tem outro irmão? -Hipótese improvável não acha? Um irmão desconhecido que é seqüestrado juntamente com o rapaz. Isso seria muito mais estranho que qualquer outra explicação. -Então qual é a sua teoria, Agente Dunsmuir? -Na verdade eu confiava em vocês dois para achar uma explicação para tudo isso. -A família pagou o resgate? -Isso vai ocorrer hoje a noite. Os seqüestradores marcaram um ponto para troca do refém pelo dinheiro, as 3 da manhã. Em uma estrada secundaria perto de Sacramento. -Bem, então parece que meu parceiro finalmente vai para a ensolarada Califórnia. -As passagens já estão prontas, nosso vôo sai em duas horas. Acha que é tempo suficiente para vocês se arrumarem? -Sem dúvida. Não se preocupe. Vou avisar o Agente Mulder e nos encontramos no aeroporto. Obrigado. -Nos vemos lá então. Vai ser um prazer trabalhar com vocês. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Aeroporto de Washington 1:00 Pm Dunsmuir chegou mais cedo do que o combinado no aeroporto. Estava realmente nervoso, e ansioso. Correu ao balcão para pegar as passagens. Quando finalmente viu os dois chegando, pode respirar com alívio. Ele entregou as passagens aos dois e em seguida eles foram fazer o check in. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx A viagem teria sido mais produtiva se aqueles dois estivessem sentados no fundo do avião deixando Dunsmuir sozinho com seus pensamentos. A Agente Scully insistia em saber tudo sobre o trabalho dele no FBI. O que exigiu dele, novamente, um exercício de imaginação incrível. Quanto ao Agente Mulder, estava claro que ele o odiava. Mas Dunsmuir somente pensava que em breve tudo estaria acabado. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Quando finalmente eles chegaram a Sacramento, o Dunsmuir os levou ao motel onde eles ficariam hospedados. Não era grande coisa, mas foi o melhor que ele havia conseguido em pouco tempo. Alem do que as acomodações só serviriam por uma noite. Pelo menos é o que pretendia Dunsmuir. Ele sabia que logo tudo estaria resolvido. Seu grande projeto iria funcionar, e ele seria reconhecido como o gênio que era. Ele deixou os dois lá e foi fazer os preparativos para a noite que estava ainda tão longe. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Ele foi para o laboratório e passou as horas que restavam para o gran finale arrumando a ponte que ligava seu projeto ao laboratório. Tudo daria certo. O tempo estava a seu favor. As 24 horas de prazo tinham sido cumpridas. Ele já podia cantar vitoria. Então viu que já estava na hora. Tinha que seguir com seu plano. Se dirigiu ao motel e bateu na porta do quarto onde estavam os agentes. -Agentes, os meus colegas já estão a postos em uma van, em uma estrada paralela a estrada do encontro. Podemos seguir para lá agora. Eles o seguiram. Foram de carro até o local onde estaria a van. Logicamente não havia nenhuma van. Repensando agora Dunsmuir se criticou por isso. Devia ter colocado uma van ali, para dar autenticidade. -Agente Dunsmuir, onde está a van? Porque ela tinha que perguntar isso? Ok, ela era uma agente do FBI, mas o parceiro dela estava quieto, porque ela não ficava também? Ele sentiu que ela estava desconfiada de algo. -Eles devem estar mais adiante. Vamos seguir a pé. -NÃO! O Agente Mulder gritou, empurrando sua parceira para o lado. Ela caiu no chão. Ele pegou a arma e apontou para Dunsmuir. -Mulder! O que é que você está fazendo? Ela perguntou isso incerta da sanidade do parceiro. Isso dava a Dunsmuir uma vantagem. Eles iam se distrair e ele podia fugir. Mas e o projeto? Tudo por água abaixo, por causa de uma besteira chamada sexto sentido. Ele nem acreditava nisso!! -Você não percebe Scully? Esse desgraçado tem a chave pra porta no final do corredor. Ele armou isso tudo. Você não percebe??? Não???? Bom, na verdade ele não tinha a chave... Mas como ele sabia sobre a porta no final do corredor? -Mulder abaixa a arma, por favor. -Scully, você tem que me ouvir, tem que acreditar em mim. -Eu acredito em você, mas é melhor você abaixar a arma e nos podemos averiguar o que aconteceu ok? Dunsmuir ouviu um barulho vindo do mato em frente a ele. Ele aproveitou a discussão para não só fugir mas também para averiguar quem estaria tão perto do laboratório. Ele conseguiu ir bem longe e já não escutava as vozes dos dois agentes, que provavelmente ainda estavam discutindo sobre quem deveria acreditar em quem. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Dunsmuir chegou no laboratório em tempo de perceber que alguém havia acabado de entrar. Ele entrou, devagar esperando surpreender o invasor. Quando finalmente se viu frente a frente com ele, Dunsmuir não pode deixar de sorrir. E o sorriso se transformou logo em uma gargalhada. Aquele era o dia mais feliz da vida dele. O estagiário pateta, que estava no prédio do FBI enquanto a maquina estava ligada, agora estava ali, frente a frente com a segunda parte do projeto. Ele era a ponte que Dunsmuir precisava. Adeus agentes paranóicos, agora ele tinha a cobaia perfeita e provavelmente ninguém sequer iria sentir falta daquele garoto intrometido. -Ola garoto. Já nos vimos antes não? -Sim, e eu segui o senhor até aqui. Eu vi em uma câmera de segurança o senhor saindo daquela sala. O senhor invadiu prédio federal. Isso é crime. -Eu não invadi, meu rapaz. Eu trabalho para o governo. -Se não fosse invasão o senhor não precisaria usar um arame pra arrombar a porta. -Ok, então eu fiz algo terrível certo? Você avisou alguém que viria aqui? -Não, não avisei. Ótimo, o pobre imbecil era realmente a vitima perfeita. -Mas eu entreguei a fita da segurança para o Agente Mulder. -Ele parece não ter dado muita atenção a isso, pelo jeito, rapaz. Dunsmuir precisava agir rápido. Mulder sabia da sala através da fita de vídeo. E os dois agentes continuavam na vizinhança. O tempo estava se tornando seu inimigo de novo. -Escute garoto, eu sei que pode parecer estranho, mas na verdade eu estou trabalhando em um projeto ultra-secreto. Nem mesmo o Agente Mulder pode ter acesso a essa informação. Você não devia ter feito o que fez. Mas eu não vou denunciar você. Na verdade eu vou mostrar a você como funciona o projeto. Isso parecia ter surtido efeito no rapaz. Ele parecia curioso e interessado. Ótimo. A cobaia é tão perfeita que quer ser cobaia. -Sente-se aqui. Dunsmuir levou o rapaz a se sentar atrás da maquina. O local perfeito. Quando ele acionasse o dispositivo o rapaz estaria no meio da carga, entre a maquina central no prédio do FBI e a maquina auxiliar. Mas ainda não estava na hora. A maquina auxiliar estava ligada ha não menos que 24 horas. Não era tempo suficiente para acumular a energia necessária. Ele precisava enrolar o garoto por algum tempo. E lá foi ele passar algumas horas contando casos do FBI em que tinha trabalhado nos últimos anos. Ele já havia contado tantos casos a tantas pessoas que começava a acreditar que de fato haviam ocorrido. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 8:00 Am. Estava na hora. O projeto poderia ser colocado em pratica. A cobaia estava pronta e cansada. Dunsmuir estava pronto para se matar, caso alguém perguntasse alguma coisa sobre o FBI. Então Dunsmuir seguiu para atrás da maquina e acionou o dispositivo. Em seguida correu para trás de uma porta de chumbo, que havia servido ao laboratório para proteção contra raios-X. Ele viu um clarão seguido de um estrondo. Como em uma tempestade. As paredes do laboratório tremeram e ele receou que elas não agüentassem o impacto. Mas elas continuaram de pe. Uma nuvem de fumaça se espalhou por todo o laboratório. Quando finalmente a fumaça se dissipou, Dunsmuir correu para ver se o garoto ainda estava inteiro. Mas ele não estava lá. Havia desaparecido completamente. Teria fugido? Ou a experiência tinha funcionado. Dunsmuir não tinha como saber. Ou melhor, a única coisa que podia fazer era esperar. Esperar que algum jornal publicasse a historia de um garoto alegando que tinha perseguido um criminoso e conseguido fugir. Ou que algum jornal dissesse que o corpo desfigurado de um estagiário tinha sido encontrado em uma sala secreta no prédio do FBI. De qualquer maneira, ele só podia esperar. Mas se a experiência tivesse dado certo, e o garoto estivesse agora inteiro naquela sala, então ele iria contar isso, e Dunsmuir ia finalmente ver seu nome estampado em todos os jornais e revistas. Ele teria alcançado a fama que tanto desejava. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Noite Joseph Smith tinha dezenove anos e muita vontade de ser diferente de seus colegas no colégio. Ele queria ser um agente do FBI. Todos riam dele, até mesmo seus pais. Ninguém dava muito credito, já que ele era um rapaz franzino. Mas ele sabia que para ser um bom agente não era preciso ser forte, bastava ser inteligente. Ele achava que era bastante inteligente. Apesar de teses contrarias que provavelmente existiam devido a grande inveja que as pessoas tinham dele e de sua forca de vontade. Pelo menos era isso o que ele gostava de pensar. Havia somente alguns dias que ele havia sido contratado para trabalhar como estagiário no FBI. Era um sonho que se tornava realidade. Ele via os agentes andando de lá para ca e tentava conversar com alguns, mas sempre desistia por não saber nem ao menos o que dizer. Não podia comparar o trabalho que ele fazia com o dos agentes. Ele somente era encarregado de examinar as fitas de segurança, verificando se os equipamentos estavam funcionando ou não. Um trabalho realmente chato. Mas o mais chato foi eles o terem colocado para trabalhar no segundo andar. Era um andar morto. Quase não passava ninguém. Na verdade somente umas duas portas não eram lacradas. Em uma delas, no entanto, havia uma maquina enorme. Ele não ousava tocar nela, mas gostava de imaginar que a maquina era uma arma nuclear e que ele era o responsável pela sua guarda. Ele examinava as fitas todos os dias somente para descobrir que a maquina não gostava de sair, de tomar café, de ver televisão ou qualquer outra atividade menos chata do que ficar plantada o dia todo. Mas ele seguia com seu trabalho, controlando as fitas de vídeo. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Naquela manhã ele tinha acabado de chegar quando deu de cara com um homem. Ele parecia um agente. Ótima oportunidade para bater um papo, ele pensou. -Desculpe senhor. -Ok, meu rapaz. -O senhor é agente? -Sim, sou. Mas não trabalho aqui, sou da Califórnia. -Muito prazer, meu sonho é ser agente do FBI, sabia? Ele finalmente estava conversando com um verdadeiro agente. Mal podia conter a felicidade. Joseph notou que o agente queria entrar na sala da maquina paralítica. -O senhor não tem acesso a essa sala? -Eu tinha mas me barraram sem motivos. Você poderia me fazer entrar nessa sala, rapaz? -Sinto muito, não tenho acesso a certas áreas. Ele achava estranho que alguém tivesse barrado o agente. Não havia guardas naquele andar. E ele era a única pessoa que entrava naquela sala. Assim achou melhor não deixar o agente entrar. Se ele realmente precisasse entrar ali, que arrumasse uma autorização. Isso fez Joseph se sentir importante. Mas o agente não insistiu. -Ok, obrigado. Em seguida ele foi embora. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Joseph tinha que ir a seu chefe entregar a fita do dia anterior. Ele gostava de ir nos outros andares, ver gente diferente. Estava distraído, quando um homem esbarrou nele. -Desculpe senhor. -Não foi nada. Esse não parecia ser um agente, mas não custava perguntar. -O senhor é agente não? -Sim. Fox Mulder. -Muito prazer. Eu sou estagiário. Meu sonho é ser um agente do FBI algum dia. -Bem, tenho certeza que você vai conseguir. Joseph tinha certeza disso também. Já havia gostado do agente Mulder. Parecia que ele não estava se sentindo bem, no entanto. Queria deixar o agente seguir seu caminho, mas ele ainda estava preocupado com a historia do agente da Califórnia. -Agente Mulder, o senhor tem acesso a todos os andares? -Acho que sim, nunca fui barrado. -E que um outro agente que eu conheci hoje disse que tentou entrar em uma sala, no final do corredor do segundo andar. Mas o guarda disse que ele não podia entrar. Ele perguntou se eu poderia levar ele até lá. Eu disse a ele que não tinha acesso a áreas restritas. Ele agradeceu e não disse mais nada. Mas talvez isso tenha acontecido porque ele não trabalha nesse prédio. -E onde ele trabalha? O Agente Mulder parecia interessado. -Na Califórnia. -Sabe o nome dele? -Não, não perguntei. Desculpe. -Não tem importância. Bom, eu tenho que ir. Boa sorte pra você, ok? Pelo jeito Joseph ia precisar bem mais do que de sorte. Depois da mancada que ele deu, duvidava que conseguisse entrar para os escoteiros. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Joseph entregou a fita para seu chefe e desceu para assistir mais um dia de "Maquina Parada III". Mas teve uma surpresa enorme. A fita dessa vez não mostrava a maquina parada. Mostrava um homem, o homem da Califórnia, apertando os botões dela. Como ele tinha ousado invadir a sala? E mexer na maquina? Joseph pegou a fita correndo. E saiu em direção ao setor de informática. Ele só precisava do endereço do Agente Mulder. Ele entregaria a fita e ficaria famoso, como o mais jovem agente do FBI. Conseguir o endereço foi até fácil. Fugir do seu chefe seria difícil, mas ele teve sorte e conseguiu deixar o prédio uns quinze minutos depois de ter pego a fita. Ele chegou no apartamento do Agente Mulder, e bateu na porta. Mas ninguém atendeu. Joseph tinha que voltar ao trabalho. Estava se arriscando demais. Então ele usou o mesmo meio que o Agente da Califórnia tinha usado, ele invadiu o apartamento do Agente Mulder usando um arame. Em seguida ele colocou a fita de vídeo e ajustou o vídeo e a TV. Ouviu alguns passos vindo das escadas e correu, conseguindo em tempo recorde entrar no elevador antes do Agente Mulder chegar no andar de seu apartamento. Estava resolvido. Ele veria a fita de vídeo. Mas somente saberia quem tinha fornecido a fita se tudo corresse bem. Joseph não era bobo como aparentava. Se algo desse errado ele não queria que a culpa caísse em cima dele. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Quando Joseph chegou ao prédio do FBI, voltou ao seu trabalho de rotina, que agora incluía criar uma nova fita para mostrar a seu chefe no dia seguinte. Não era muito difícil já que a maquina não era o que se pode chamar de animada. Ele passou o dia somente pensando em tudo o que estava ocorrendo. Ele especulava sobre a utilidade da maquina. Sobre os motivos do Agente da Califórnia. Joseph queria fazer algo mais, mas não tinha muitos elementos. Resolveu descobrir onde os Agentes tinham ido. E descobriu rapidamente. Eles voaram para a Califórnia. Ok, então ele também iria para lá. Com que dinheiro, não sabia. Queria deixar essa preocupação para o seu cartão de credito. E foi o que fez. Pegou um avião as quatro da tarde e assim que chegou em Sacramento seguiu para o local onde os agentes estariam hospedados. Ele ficou vigiando o motel. Viu quando o Agente Mulder e uma mulher, provavelmente a parceira dele, seguiram para o restaurante. Depois viu quando eles voltaram para o motel. Estava quase dormindo no carro que havia alugado, quando viu o Agente da Califórnia bater na porta do quarto onde os outros dois estavam. Ele guardou uma boa distancia do carro deles, e apagou os faróis, como tinha visto ser feito em filmes policiais. O carro parou e eles desceram. Joseph tinha parado o carro bem longe deles. E seguiu a pé, se aproximando ao máximo, porque queria ouvir o que eles diziam. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx -Agente Dunsmuir, onde está a van? A agente havia perguntado. Joseph sentia que havia algo errado, somente pelo tom de voz dela. -Eles devem estar mais adiante. Vamos seguir a pé. -NÃO! O Agente Mulder gritou, empurrando a mulher para o lado. Ela caiu no chão. Ele pegou a arma e apontou para o homem da Califórnia, que agora Joseph sabia se chamar Dunsmuir. -Mulder! O que é que você está fazendo? A agente perguntou, olhando para o Agente Mulder como se ele fosse o mais louco dos homens. -Você não percebe Scully? Esse desgraçado tem a chave pra porta no final do corredor. Ele armou isso tudo. Você não percebe??? Não???? -Mulder abaixa a arma, por favor. -Scully, você tem que me ouvir, tem que acreditar em mim. -Eu acredito em você, mas é melhor você abaixar a arma e nos podemos averiguar o que aconteceu ok? Joseph notou que a discussão não iria acabar tão cedo. E tentou se afastar. Foi ai que viu uma luz vindo de longe. Ele resolveu seguir para lá. Já não estava gostando dos rumos que a situação estava tomando. Que chamassem ele de covarde, mas ele não ia ficar no meio de um tiroteio entre agentes do FBI. Com a sorte dele, ele seria acusado de algo. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Joseph entrou no prédio de onde vinha a luz. Era um prédio abandonado. Mas a porta da frente estava aberta. Ele entrou. E o que viu o deixou desconfiado. Era uma maquina igual a que estava no prédio do FBI. Bom, não exatamente igual. Essa era bem menor e não parecia tão bem feita. Então Joseph se virou e viu Dunsmuir. Joseph pensou que seu momento já havia chegado. Que o homem iria mata-lo. Mas o que aconteceu em seguida o deixou desconcertado. O Agente Dunsmuir estava rindo. Parecia muito contente afinal. Talvez Joseph não tenha feito tanta besteira como havia pensado. Mas não podia se deixar enganar, afinal aquele homem havia invadido a sala da maquina. -Olá garoto. Já nos vimos antes não? -Sim, e eu segui o senhor até aqui. Eu vi em uma câmera de segurança o senhor saindo daquela sala. O senhor invadiu prédio federal. Isso é crime. -Eu não invadi, meu rapaz. Eu trabalho para o governo. -Se não fosse invasão o senhor não precisaria usar um arame pra arrombar a porta. -Ok, então eu fiz algo terrível certo? Você avisou alguém que viria aqui? -Não, não avisei. No momento em que disse isso, Joseph percebeu a besteira que tinha dito. Mas consertou em seguida. -Mas eu entreguei a fita da segurança para o Agente Mulder. -Ele parece não ter dado muita atenção a isso, pelo jeito, rapaz. Escute garoto, eu sei que pode parecer estranho, mas na verdade eu estou trabalhando em um projeto ultra-secreto. Nem mesmo o Agente Mulder pode ter acesso a essa informação. Você não devia ter feito o que fez. Mas eu não vou denunciar você. Na verdade eu vou mostrar a você como funciona o projeto. Joseph estava impressionado. Não havia nada no mundo que ele quisesse mais do que saber para que servia a maquina. E finalmente ele ia saber. Ele até esqueceu que o homem a sua frente podia ser perigoso, já que o Agente Mulder estava até mesmo apontando uma arma para ele. Sente-se aqui. Joseph obedeceu, ponderando consigo mesmo que o homem não estava apontando nenhuma arma para ele, e que nada levava a crer que ele fosse lhe fazer algum mal. Dunsmuir começou a conversar com ele, contando casos do FBI em que tinha trabalhado nos últimos anos. Joseph estava em um mundo de sonhos. Ouvindo todos aqueles casos, conversando com um Agente do FBI como se eles fossem amigos. O dia amanheceu sem que ele sequer percebesse. Mas ele estava cansado. Então Joseph viu Dunsmuir se levantar, mas não percebeu que ele havia ido para de trás da maquina e o pior, que havia acionado o dispositivo. Ele somente teve tempo de ver Dunsmuir correr para atrás de uma porta. Em seguida sentiu um frio intenso. Nunca tinha sentido um frio tão grande. Seu corpo estremecia. E a luz que invadia seus olhos causavam uma dor de cabeça intensa. A última coisa que se lembrava foi do estrondo que ouviu. Em seguida ele desmaiou. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Epilogo Mulder e Scully seguiram o corredor e encontraram a porta no final dele. -Sinceramente Mulder, essa porta parece bem normal não? Scully ainda estava preocupada com o estado de espirito de Mulder, mesmo depois do mal entendido ter sido esclarecido. -Eu também acho. Mas ela deve ser muito importante. Eu não sei porque. Mulder tinha notado que o simples fato de Dunsmuir ter saído por aquela porta não significava algo conspiratório ou paranormal. -Ok, então vamos entrar. -Scully, o que você acha que tem do lado de lá? -Provavelmente nada, mas eu sou curiosa. -Mulheres... -Mulder! Você é que queria ver o que tem do outro lado! -Ok, ok, eu também sou curioso, vamos entrar. Eles abriram a porta e então perceberam que existem portas que devem ser abertas e portas que devem ficar fechadas e aquela definitivamente pertencia ao segundo grupo. Em frente a eles estava o estagiário. Estendido no chão com os braços e pernas abertos. A expressão do rosto mostrava dor intensa. Scully se aproximou dele para ver se ele ainda respirava. Nada, ele estava morto. Mulder decidiu avisar ao serviço de segurança. A área devia ser interditada. E foi o que aconteceu. Skinner, mais tarde informou aos dois agentes que o garoto havia morrido devido a uma descarga elétrica vinda da maquina. Mulder quis saber o propósito da maquina, mas nem mesmo Skinner podia saber. De qualquer maneira ela havia sido removida e ninguém sabia para onde tinha sido levada ou sequer se ainda existia. Scully não pode fazer a autopsia no rapaz. A religião dele não permitia e a família aceitou a explicação de acidente para a morte dele. Na verdade a única pessoa no mundo que sabia que não havia sido um acidente era Dunsmuir. Infelizmente, para Dunsmuir, o teto do laboratório não era tão forte quanto suas paredes. Após a explosão o teto caiu, matando e deixando enterrado o homem que havia criado o teletransporte. Alguém poderia dizer que a maquina não era perfeita, que Joseph havia morrido quando ela foi utilizada. Mas o que somente Joseph sabia é que ela funcionou sim. Joseph, naquele dia fatídico, logo após a explosão e as rajadas de luz, se viu novamente na sala da maquina paralítica. Ele estava muito confuso com tudo o que havia ocorrido, mas percebia a importância de tudo e estava feliz de ter sido ele o primeiro a fazer essa viagem. Ele corria de um lado para o outro na sala, até que tropeçou em um dos fios da maquina levando um choque de altíssima voltagem que o matou em segundos. Quanto a qualquer prova em vídeo sobre o acidente, nosso amigo estagiário, havia forjado uma fita para entregar a seu chefe, mas esqueceu de deixar outra preparada para o período em que estava fora. A historia termina assim, de forma irônica. Com algumas conclusões. Pizza as vezes pode realmente fazer mal. Quando um homem está nervoso pergunte primeiro o que ele comeu no jantar. E finalmente, quando você fizer parte de uma importante descoberta cientifica, simplesmente tome notas e siga em frente ou use sapatos de sola de borracha ao menos. Fim.