Sobre a inglesa esquartejada e outras coisas trash

Acho que todo mundo já deve saber da moça inglesa que foi assassinada pelo namorado (acho que não era namorado) e esquartejada em seguida. Se a moça fosse brasileira e o maníaco não a tivesse esquartejado, ninguém estaria falando do assunto.

Se a moça, mesmo inglesa, não tivesse sido esquartejada também não teria havido todo o alarde. Então dá pra ver que foi o modo como ela foi morta que dá tanto ibope.

As pessoas adoram ler esse tipo de notícia. E adoram comentar o assunto também. Nem mesmo a assassina da novela anda fazendo tanto sucesso.

Isso me deixa um pouco preocupada. Não, na verdade muito preocupada. O rapaz louco que fez isso com a menina atraiu muita atenção e outros loucos podem querer o mesmo tipo de atenção.

Eu fico dizendo que são loucos, mas nem acredito muito nessa loucura. São pessoas más e pronto. Isso é outro ponto interessante. Os americanos têm mania de dizer que os assassinos são monstros, ou que são tomados pelo demônio, ou que estavam drogados quando cometeram os piores crimes.

Isso tira totalmente a culpa do assassino. Ele passa a ser uma vítima da bebida, da droga, do demônio, das doenças mentais, de uma infância triste, da pobreza. Mas nunca levam a culpa pelo que são. Pessoas más que não se importam com o que a sociedade pensa deles.

Quando as pessoas tiram essa culpa do assassino, elas se protegem contra esse mal. É como se elas dissessem “isso nunca vai acontecer comigo porque eu não sou louco, não bebo, não me drogo, vou à igreja”.

É difícil aceitar que alguém possa, de repente, decidir tirar a vida de outra pessoa. Se as pessoas aceitarem essa verdade simples isso significa que qualquer pessoa perto delas, elas incluídas, podem fazer o mesmo.

Não daria pra dormir direito à noite.



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